Lino Abreu


O empresário empreendedor


Lino Abreu recorda que os contratempos acabam por trazer vantagens, como a de aprender muito cedo as agruras da vida e dar-lhe valor.


Desde tenra idade se depara com a ausência do pai da Madeira, que procura no estrangeiro o emprego de futuro que a ilha não proporciona. Tal como muitos conterrâneos, emigra. Para a África do Sul.
A mãe tem de trabalhar para conseguir proporcionar uma vida que, mesmo assim, não evita dificuldades.
Lino Abreu recorda que os contratempos acabam por trazer vantagens, como a de aprender muito cedo as agruras da vida e dar-lhe valor.

Os alicerces

Ciente da importância de uma educação para o futuro, a mãe de Lino Abreu proporciona o acesso a bons pilares com o ensino primário no Colégio Lisbonense, no Funchal.
Segue-se o 1.º ciclo, numa escola do Estado, e o secundário, na então Escola Industrial e Comercial do Funchal, hoje Escola Secundária de Francisco Franco.
São tempos sem grandes desafogos.
Aos 16/17 anos depara-se com o regresso do pai. Lino Abreu sente necessidade de sair de casa para viver uma vida autónoma. É assim que, com essa idade, começa a trabalhar de dia e a estudar à noite. Termina o 12.º ano com algum sacrifício.

O primeiro emprego

Na antiga Industrial está na área de Gestão e Contabilidade. O primeiro emprego surge como empregado de escritório na Sociedade Eléctrica Madeirense, que faz as grandes obras de instalações eléctricas, em parceria com a construtora Erg.
A força de querer vencer na vida cedo o leva a chefe do escritório, o que acontece 12 meses depois de entrar, com 18 anos.
Ao completar 19 anos é chamado para a tropa. Consegue ficar livre do cumprimento do serviço militar obrigatório.
Em vez da tropa recebe um convite para trabalhar na Welsh Gomes & Aguiar, representante na Madeira da marca de automóveis Opel. As instalações ficam então junto ao edifício da Socarma, na Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses, na Praça da Autonomia. Tem a missão de liderar a componente administrativa e contabilidade.
Casa aos 20 anos.
Fica na empresa cerca de seis anos.

O impulso na Rama

Durante este tempo não consegue seguir os estudos como é sua intenção.
Aos 25 anos tem um convite para trabalhar na Rama, uma fábrica de rações para animais na Madeira.
Vai igualmente com a missão de liderar a parte administrativa e financeira. Conta com o grande apoio do director-geral, Costa Neves. É um administrador que lhe dá um grande empurrão na vida, não só em termos profissionais como no incentivo a tirar um curso superior com o apoio da empresa.

Trabalhador estudante

Por isso mesmo, não esquece o apoio que recebe de Costa Neves e do próprio empresário Joe Berardo.
Deste modo, todas as quintas-feiras, Lino Abreu voa para Lisboa, onde fica até aos sábados à noite, altura em que regressa à Madeira, depois da passagem pela Universidade Católica.
Basicamente, o curso é feito assente no ensino presenciado à distância. O correio electrónico é uma arma muito forte que possibilita uma ligação rápida entre o estudante Lino e a faculdade.
Ao fim de quatro anos, onde, por vezes, tem de estudar no voo das seis da manhã para Lisboa, começa a sentir os efeitos do “stress”. Mas não se deixa abater.
Consegue acabar o curso. Hoje não quer deixar de agradecer a grande ajuda que recebe da Rama, que vê em Lino Abreu uma pessoa empenhada em enriquecer os seus conhecimentos.
Ambição de vencer
Os sonhos de Lino Abreu são ambiciosos e ele próprio reconhece que tem capacidade para dar passos maiores. Fica num dilema devido ao facto de beneficiar do apoio da empresa na concretização do curso.
Por isso mesmo, devido ao reconhecimento pelo apoio recebido, ali fica mais três anos após a conclusão da licenciatura.

“Franchising”

Entretanto, enquanto ali está, a sua veia empreendedora leva-o a abraçar um “franchising”, o que ainda acontece quando está na Rama. Traz, pela primeira vez para a Madeira, a lavandaria rápida “Pressto”.
Um ano depois inaugura uma cervejaria no centro comercial Europa, onde tem a lavandaria.
Torna-se sócio do supermercado Caju, na Rua da Carreira.
O empresário Lino Abreu começa a ver crescer as suas responsabilidades e as dificuldades de conciliar a nova actividade com a que desenvolve na Rama. Entende que chega a altura de seguir o seu próprio caminho. Pede a demissão, apesar de sentir um grande peso na consciência. Sente-se mal consigo próprio.

O risco da mudança

Considera que, além do sentimento de tristeza que o acompanha, leva consigo a incerteza dos negócios em troca da estabilidade na Rama onde tem um grande ordenado sempre certo ao fim de cada mês.
Sente que sai para uma vida cativante mas com risco. Risco que o obriga a um primeiro ano de grandes sacrifícios, tal como na maioria dos negócios.
Algum tempo depois conhece Nandim de Carvalho, na altura, grã-mestre da maçonaria, que tem a empresa Dosdi, especializada em consultoria e gestão.
Nesse primeiro ano dá com o empresário a “franchisar” os serviços de consultadoria. Considera a ideia interessante. Além disso, vai ao encontro do seu curso de Gestão de Empresas.
É um passo importante para a valorização do que aprendeu. Aceita o “franchise” e cria a Dosdimad, que procede a trabalhos de consultoria e projectos de investimento. Um passo que diz ter sido grande porque vem ensinar muito e complementar, substancialmente, o que aprende na faculdade. Num aparte, deixa claro que, mesmo para quem tira uma licenciatura, é preciso ser humilde no sentido de estar sempre pronto a aprender constantemente.

O mundo empresarial

Hoje tem uma grande carteira de clientes e encontra sempre em Nandim de Carvalho um profissional com uma solução para qualquer problema que surja. Aliás, uma das chaves da empresa é que vende soluções e compra problemas.
Entretanto, cria uma outra empresa para a execução de trabalho contabilístico. Nasce a Contatop.
São as duas empresas que consomem a maior parte do tempo.
Ainda neste campo acaba de criar uma outra empresa, a Avalibérica Madeira. Tem como objecto social a recuperação e a falência de empresas, o que, em termos práticos, tem o papel de liquidação de activos e recuperação de empresas com algumas dificuldades em termos de gestão.
O trabalho neste domínio financeiro/económico é aliciante porque, conforme diz Lino Abreu, vai ao encontro das dificuldades e necessidades dos empresários.

Vida associativa

Além destas empresas, tem outras na área do comércio. Uma produz produtos de limpeza na área industrial. Outra é a Crigrava, uma empresa de serigrafia. Curiosamente, esta empresa nasce de uma conversa com um amigo que pede apoio ao nível do controlo de gestão.
Fora do âmbito empresarial particular, Lino Abreu recebe um convite, há cerca de três anos, para liderar a Associação de Comércio e Serviços, que este ano completou 90 anos.
O convite parte da presidência da direcção anterior. Lino Abreu não hesita e aceita o desafio aliciante na medida em que também ele tem pequenas lojas comerciais. Sente as dificuldades por que passa o comércio local e que pode dar algum do seu contributo para ajudar o maior número de empresas possível.
Já vai quase no fim do primeiro mandato e sente-se satisfeito por sentir que tem dado todo o seu empenho em prol dos empresários, maioritariamente do comércio tradicional.

Optimista

Além de tudo isto, Lino Abreu considera que é chegada a altura da associação conhecer outro protagonismo, projecto que entende ter conseguido no primeiro mandato, fruto de um esforço conjunto.
No meio deste percurso profissional, Lino Abreu encontra ainda tempo para a poltica. Há cerca de oito/dez anos entra no CDS/PP a convite do então presidente, Ricardo Vieira.
Encontra um partido que corresponde aos seus ideais.
Hoje é secretário-geral do Partido Popular e não esconde que um dia, se se proporcionar, pode desempenhar outro cargo no partido porque entende que a via política é, igualmente, uma forma de podermos ajudar a comunidade onde estamos inseridos.
Mas essa não é uma questão que o preocupe já. O que quer, por agora, é estabilidade em termos empresariais e familiares.
Lino Abreu considera-se um optimista por natureza. Todos os dias acorda com vontade de fazer algo diferente e sempre com boa disposição.

Leituras

Levanta-se às 7.30 horas e sai de casa uma hora mais tarde. Pelas nove horas começa a trabalhar. Até às 21.30/22 horas.
Ao fim de cada dia de trabalho passa por todas as empresas.
No domínio das leituras, lê os dois principais jornais da Madeira. Quando tal não consegue, opta por fazê-lo à noite, calmamente na Internet. Uma altura que considera ser ideal por estar mais relaxado e por ter mais tempo de ler o conteúdo, o que não acontece de manhã, quando apenas passa os olhos pelos títulos.
Além destes jornais tem o hábito de ler, à noite, o Diário Económico para se inteirar do que se passa ao nível da economia. Quanto a outras publicações, está a ler, sempre que pode, o livro que tem à cabeceira “Mais Platão, Menos Prozac”.Um livro que permite ter outra forma de encarar e viver a vida, sem recursos a comprimidos para combater o “stress”. No fundo, mostra outra forma de resolver as questões.

Aprendizagem contínua

A nível de actualização tem por base que devemos ser humildes e nunca pensar que sabemos tudo. Recorre-se dos livros e nunca falta aos seminários que vão acontecendo na Madeira nas áreas de gestão e contabilidade. Procura estar sempre actualizado, o que o leva, com alguma regularidade, a Lisboa, junto da empresa que tem parceria: a Dosdi.
Entende que a actualização ao longo da vida é uma das áreas que não pode descurar na aldeia global que vivemos.

Empreendedores

Sobre os potenciais empreendedores diz que há sempre espaço para novos negócios. Negócios que têm de ter um denominador: serem projectos inovadores e de qualidade.
Depois disso há que acreditar no projecto, com alguma criatividade, não sem que antes trace um plano de negócios e tire algum tempo para o conhecer o mercado.
Hoje não está arrependido de dar o grande passo entre ser empregado por conta de outrem para ser empresário e proporcionar emprego a muitas pessoas, que, no seu caso concreto, são 25 pessoas. Por isso mesmo, diz que todos os dias pede a si próprio para ter sucesso nas suas empresas, no sentido de o ampliar aos seus colaboradores.

As novas ferramentas

Em relação às novas tecnologias utiliza-as frequentemente como ferramenta de trabalho.
Na Internet não perde tempo desnecessário. Só o faz para procurar a informação necessária.
Quanto a “hobbies”, aos fins-de-semana, gosta de andar de mota pesada. Todos os sábados reúne-se com um grupo de amigos e dão uma volta pela tarde. É uma forma que encontra igualmente para combater o “stress”. De resto não tem mais nenhuma ocupação de tempos livres, pois procura dedicar o tempo restante à família. 


2002-08-02
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